DE FRANÇA E BRASIL
Esses romances históricos abarcam um tempo cronológico que vai de 1512, com a partida de João Ramalho de Lisboa, até 1612, com a tomada de Angola da mãos dos holandeses, por uma frota brasileira sob o comando de Salvador de Sá e Benevides. Nesse século de duração, os caminhos da França e do Brasil vão se entretecendo cada vez mais e culminam, paradoxalmente, num recomeço cronológico, quando, no VOL 3, um flash back nos traz de volta ao ano de 1504; nele, um navegador francês passa vários meses numa ilha da Baia de Babitonga, na atual Santa Catarina, e leva consigo para a França um indiozinho de 14 anos, nosso futuro Essomericq, o primeiro brasileiro a conquistar sucesso na Europa.
No meio dessas tramas históricas, atuam com desenvoltura figuras gigantescas como a do português João Ramalho, fundador de Santo André, co-fundador de São Vicente e redentor de São Paulo de Piratininga. Martim Afonso de Souza, Padre Manuel da Nóbrega. Padre José de Anchieta nos leva, através da Confederação dos Tamoios e depois, acompanhando Estácio de Sá, até a baia de Guanabara, onde Nicholas Durand de Villegaignon tenta desesperadamente estabelecer uma colônia francesa, a França Antártica. O Rio de Janeiro é fundado por Estácio e a seguir são os descendentes de seu tio, o governador geral Mem de Sá, que irão dominar essa cidade nascente por longas décadas, até chegarmos a Salvador de Sá e Benevides, que construiu o maior navio da Terra na própria baia de Guanabara.
Mas é Villegaignon que, malogrando em sua tentativa de colonização, nos leva para a França, onde uma grande parte da nova trama se desenrola, sempre estabelecendo vínculos com a colônia portuguesa do Brasil. O encontro entre Villegaignon e Essomericq provoca uma profunda reviravolta em toda a história e nos traz de volta no tempo para as terras brasileiras de Santa Catarina.
Concebida e escrita para cinema, como um grande roteiro, DE FRANÇA E BRASIL não é um trabalho de História. Não é o campo de atuação de um historiador, mas de um novelista, que escreve, acima de tudo, com um enfoque que acentua o humor, a plasticidade, a emoção e a sensualidade das situações. Que resgata a participação de inúmeras mulheres que a história teima em eclipsar e que as reconhece como heroínas também.
Personagens de pouca definição histórica, com assentamentos e cronologias de escassa exatidão, como o próprio João Ramalho, Essomericq, índias e índios, tornam-se preferenciais no desenvolvimento das tramas, porque permitem que se enfeite, que se crie e recrie, que se invente mesmo, numa espécie arrevesada de “licença poética”, para que eles encham as nossas páginas de vida, humor, picardia e esperteza. E muito amor. E para que nos deixem fugir dos arquivos bolorentos da história pura.
Que, aliás, o mais das vezes, é em si também falha, porque, como bem o sabemos, quem conta a história são os vencedores, torcendo-a sempre a seu favor. E, sem duvida, quem conta um conto, aumenta um ponto...
Quem quiser conhecer como começa esta intensa e divertida narrativa, siga o link
http://miltonmaciel.blogspot.com.br/2014/07/joao-ramalho-no-paraiso-milton-maciel.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário